<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316</id><updated>2011-11-04T14:48:05.173-02:00</updated><title type='text'>Contos da União Humana</title><subtitle type='html'>Após o primeiro contato com uma civilização extraterrestre, líderes mundiais sonharam com uma utopia: a União Humana, união de todos os seres humanos sob uma única bandeira. Doce ilusão... por anos, o universo se desvendava e o controle da União passava de mão em mão, até que a América tomou o poder, com ajuda extraterrestre. Instável, a União Humana perdura.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Fabio Ciccone</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07394266206987306035</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uCy9R_TiOXk/TFvnBb0mBfI/AAAAAAAACBA/2F-_2DmI2-I/S220/fam3.png'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-7471398165709176760</id><published>2010-01-27T10:15:00.000-02:00</published><updated>2010-01-27T10:15:16.933-02:00</updated><title type='text'>Eureka</title><content type='html'>-Registro de missão 0010532A,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Meu estado ofegante é terrível, isso me deixa nervoso demais. Preciso me controlar, me acalmar, ou tudo isso não vai adiantar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vou ligar esse fio com este, e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;**AVISO! AVISO! ASSINATURA GENÉTICA NÃO RECONHECIDA**&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;**AVISO! AVISO! ASSINATURA GENÉTICA NÃO RECONHECIDA**&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-Merda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-7471398165709176760?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/7471398165709176760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=7471398165709176760&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/7471398165709176760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/7471398165709176760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2010/01/eureka.html' title='Eureka'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13725862850666051198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_WKktM0sX19g/SkhOAC-ZWEI/AAAAAAAAAFg/qZ0afJFehmU/S220/230908192655-01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-2960646327286961841</id><published>2009-12-27T01:29:00.003-02:00</published><updated>2009-12-27T01:33:35.865-02:00</updated><title type='text'>Fuga</title><content type='html'>Corredores, corredores, corredores seguiam em todas as direções, que não chegavam à lugar algum. A cada passo que dava, cada volta que fazia, o tenente Nigh se conformava, cada vez mais, que havia morrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não eram os corpos, congelados, cristalizados, presos ao assoalho por uma gravidade artificial que persistiu ao longo dos anos. Também não era pelas formas de vida - ou seja lá o que aquilo for - que ele tinha certeza que o perseguiam, desde que se livrou de sua prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação crescente de abandono, de não poder, nunca mais, chegar perto do quê ou quem um dia definiram um plano de existência como sua vida, isto era o que o fazia acreditar que aquilo não passava de uma ilusão, uma brincadeira da consciência que se separa do corpo, segundos antes de nada mais existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro daquele labirinto que, um dia, foi a esperança de um povo, ele se sentia como uma sombra pálida que ainda não soube onde repousar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como poderia ser isto? Aquela era uma nave - praticamente um planeta - inteiramente dedicada à exploração e formação de um lugar onde os povos colocavam sua esperança, onde todos apostavam suas fichas para um novo lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era como mudar de cidade, sabe, com a singela diferença de que você estava indo para um lugar provavelmente habitável, à décadas luz da Terra, e que você provavelmente passaria a maior parte da viagem dormindo, em um estado criogênico, protegido e guardado dentro do núcleo central, o coração da nave, e um dos únicos 3 ambientes inteiramente feito com uma liga de tantos elementos da tabela periódica que deixariam qualquer químico orgulhoso, desde o primeiro até o último quadrante do universo conhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era necessário, já que o objetivo central de tudo aquilo, o transporte de humanos, precisava de toda a proteção possível, para ser bem sucedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não... não, não, nada poderia ser assim. Se negava a acreditar que tenha tido a má sorte impressionante de acabar assim. Estava sonhando, e a menor sensação de dor...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...e foi aí que viu o risco cauterizante de peptidios no traje espacial, e teve certeza de que aquilo era absolutamente real. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia se acertado acidentalmente, quando usou um dos bastonetes laser para evacuação da cabine do caça - e que nenhum daqueles malditos cadetes digam novamente que não servem para nada! - e foi uma sorte ainda dispor de suco enzimático para a cauterização do traje, que absorveu 90% de todo o dano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sangrava, é verdade, mas já havia chegado à um ponto onde a dor apenas lanceta, formigando o tecido, e agora era uma questão absoluta de tempo para que ela ficasse abaixo do suportável. Os peptideos também, ele acreditava. Talvez, aquela invençãozinha funcionasse também em corpos, por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos, ainda respirava sem sentir qualquer penalidade pelo ferimento, e isto era um bom sinal. Ainda mais que, da última vez que deixara o módulo de sobrevivência avançada ligado tempo o bastante para fazer uma sondagem, foi informado por aquela voz irritante, metálica, andrógina, de que suas chances de sobrevivência superiores à 90%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem que ele queria acreditar naquilo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-2960646327286961841?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/2960646327286961841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=2960646327286961841&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/2960646327286961841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/2960646327286961841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2009/12/fuga.html' title='Fuga'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13725862850666051198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_WKktM0sX19g/SkhOAC-ZWEI/AAAAAAAAAFg/qZ0afJFehmU/S220/230908192655-01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-4348569295576811393</id><published>2009-09-01T13:21:00.004-03:00</published><updated>2009-09-01T13:32:33.894-03:00</updated><title type='text'>Amanhecer IV</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:595.3pt 841.9pt;  margin:42.55pt 42.55pt 42.55pt 42.55pt;  mso-header-margin:35.45pt;  mso-footer-margin:35.45pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Matenigxo IV&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- O que você tá olhando? – Dr. Kaji Matsumoto visivelmente desconfortável no balançar constante do veículo de seis rodas e engenharia planejada para pesquisas e explorações científicas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não abriu a boca o percurso todo. Justo o membro mais tagarela da tripulação. – responde Tibério, com ironia, abraçado a um fuzil, seu capacete dançando ao lado acompanhando o balançar do veículo. – Algum problema? Saudades das cafeteiras mamíferas?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sabe que não. – Kaji respira fundo, tenta se ajeitar melhor no assento. – é porque não gosto desse oxigênio reciclado artificialmente, não podemos usar nossas reservas?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Claro que sim! Afinal, pra que precisaríamos de oxigênio no caminho de volta? – modificou o tom de voz em deboche, voltou à seriedade. – Nossas reservas estão acabando, sabe disso. Precisamos economizar o máximo possível, e como nossos sensores estão quebrados, não temos certeza da segurança dessa atmosfera. Mesmo com essas coisas sendo humanas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao redor dos dois, outros três homens armados perdidos em seus próprios mundos e divagações. Uma luz vermelha ao lado de Tibério pisca, ele soca o botão abaixo. “Capitão, acho que vai querer ver isso!” Foi o que de lá saiu.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tibério coloca seu capacete, chuta o computador de mão na direção de Kaji e ambos saem do veículo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É, parece que chegamos. – comenta o Capitão Gallore ao dar de frente com uma imensa nave colonial.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Duas horas depois, a equipe de exploração termina e repassam as informações para o Dr. Matsumoto que logo se reporta ao Capitão.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É uma Fragata Colonial Classe B. Tem centenas de anos, provavelmente do primeiro êxodo colonialista.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Como se não desse ouvidos, Tibério vai em direção a nave, limpa a sujeira de uma parte da fuselagem, aparece nela escrito “Amanhecer IV”. A equipe inteira fica em silêncio por segundos que pareceram horas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Já verificaram o interior da nave? – Tibério quebra o silêncio.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ainda não senhor, o cortador de metais está sendo preparado para isso. – um dos oficiais-cientistas ao fundo se levantando após coletar amostras.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Kaji olha para os lados com desconfiança, procurando algo, então se abaixa e verifica o solo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O que foi? – era Tibério.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não percebeu? – Matsumoto mostra a região ao redor. – Essa nave prova que eles são humanos, mas não há nenhum por aqui. Não é normal um humano se afastar do abrigo, ainda mais um tão seguro.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Tem certeza de que olhou para eles? Podem ser muita coisa, mas não são normais. Tornaram-se quase bestas, não devem se comportar como humanos. – levanta o fuzil, verifica o pente, engatilha e trava. – Afinal, já tem alguma teoria de como os colonos chegaram a isso?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não temos nossos sensores de atmosfera, mas pelo que conseguimos das amostras de solo e das condições da própria fragata posso afirmar que houveram agressões nucleares contra eles. – ao fundo, o cortador de metais é ativado e inicia seu trabalho. – Não duvido nada que piratas tenham atacado nossas naves coloniais em tempos antigos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Quer dizer que a radiação os deixou assim? – Tibério levanta a mão direita e faz alguns gestos ordenando que os fuzileiros se posicionem próximos da passagem sendo aberta. – E você querendo arriscar respirar na atmosfera desse lugar...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não posso garantir que a radiação é a responsável, nunca vimos que tipo de mutação ela pode causar em ambientes não controlados. Pode tanto ter sido só isso como também a soma dela as exigências impostas pelo planeta ou mesmo ela não ter nada a ver com isso e estarmos diante do caso de evolução adaptativa de uma espécie mais rápida já presenciada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Por favor, por favor. – apóia o fuzil no chão e abaixa a cabeça em decepção. – Seja o cientista que todos sabemos que é e responda qual a opção mais provável? A, B ou C?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- B... – Dr. Matsumoto responde visivelmente a contragosto.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ok, temos aberrações genéticas vindas de radiação. Sorte termos aprendido a não brincar mais com isso. – cai um pedaço de metal da nave, ao ouvir o som, Tibério empunha o fuzil e antes de ir fala com Kaji. – Só quero mais um favor, verifique nos arquivos históricos da frota, quero saber quantas outras naves coloniais não responderam e nem nunca foram localizadas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tibério entrou na nave liderando os fuzileiros, vasculhando tudo ali dentro em uma mistura de melancolia com apreensão. Ossos humanos roídos em alguns aposentos, tudo apagado, ruídos esganiçados da fragata corroendo, se rendendo ao tempo. A equipe faz a varredura completa em quarenta minutos, com apenas um ter algo para reportar. Uma espécie de túnel abaixo do painel principal na ponte de comando. Pouco depois, toda a equipe de exploração está lá dentro, analisando esse túnel e tentando recuperar os dados de navegação da nave. Tibério se aproxima de um dos cientistas, sem tirar os olhos do túnel e pergunta:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vai demorar muito?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não senhor! Em três minutos teremos todos os dados transferidos. – respondeu o homem, concentrado em sua função, por menos necessário que seja se concentrar em transferir arquivos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tibério se distrai com um chamado em seu comunicador pessoal, parecia uma mensagem de socorro emergencial. Era gravada. Vinha de Imperatriz e dizia algo como “SOS... SOS... Estamos sob ataque... As cois... emboscaram! Aaahhhhhh!”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Droga, já sei por que não vimos nenhum deles o caminho todo! – Tibério corre na direção do túnel. – Porque eles vivem no subterrâneo!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- De fato, faz sentido dada a palidez da pele deles. – observa Kaji, a despeito da euforia escondida pelo capacete do Capitão.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não é isso! Eles emboscaram Imperatriz! Nossa nave está sob ataque! – puxa Dr. Matsumoto pelo colarinho. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;– Todos em posição! Recolham os equipamentos! Retorno de emergência e resgate para Imperatriz. Temos dois minutos!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A equipe de exploração retorna no menor tempo que pode, mas não é o suficiente. Ao entrarem na nave, tudo o que vêem é sangue, tudo o que cheiram é morte. Corpos de seus amigos, companheiros, amantes, irmãos em pedaços, os que estão inteiros não são reconhecíveis. Tibério segura as lágrimas e o soluço durante os comandos, vai até a ponte e estuda o painel de controle temerário pela luta tê-lo avariado.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sargento-Cientista Kernel! – grita, sendo prontamente atendido por um homem baixo, loiro e usando óculos imensos. Extremamente desajeitado, ele tropeça em duas cadeiras antes de se aproximar do Capitão e bater continência. – Parabéns, é agora por falta de opções melhores um oficial-militar e foi promovido para Tenente. Procure não me decepcionar e verifique o estado do motor de nossa menina.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O-obrigado Capitão! Sim Capitão! – e lá foi ele, tropeçando nas mesmas duas cadeiras.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O que foi isso? – perguntou Kaji ao presenciar toda a cena.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Estou recuperando a ordem na tripulação. – tentava não encarar o amigo, passou por ele e se sentou em sua cadeira habitual. – Podem não ser militares, mas tem treinamento, até sairmos daqui e renovarmos os tripulantes precisamos de tudo possível para nos manter em ordem e vivos nesse maldito planetóide fim de mundo. Imagino que saiba que os acontecimentos te tornam meu Imediato.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vai mesmo ignorar todas essas mortes como sempre faz? Fugir da realidade? Seus subordinados morreram! Lide com isso!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Eu estou lidando! Mantendo os que sobreviveram sob ordem para que não acabem se afastando e morrendo como os outros! Fala como se fosse fácil estar no meu lugar! Não é! Você recruta pessoas, convive com elas até amá-las mais do que sua família, então vê seus braços e pernas separados de seus corpos! – se levanta, espalhando perdigotos pelo capacete e levantando o punho cerrado contra o centrado cientista. – E mesmo assim, enquanto recolhe seus pedaços, tem que se manter rígido e não esquecer que qualquer deslize pode te tirar os poucos que sobraram, mesmo que a chance deles sobreviverem seja menor que a de uma ninhada de gatos!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Senhor! – o agora Tenente Kernel retorna batendo continência. – Tenho péssimas notícias.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ah, merda! O que foi agora? – Gallore se vira angustiado, por segundos leva as mãos ao coldre com vontade de puxar a arma e matar Kernel e Kaji ali mesmo para acabar com as noticias ruins e cobranças.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Os... Os motores estão arruinados Capitão! Disseram que não há esperança nem de concerto. – dá dois passos para trás temendo ser punido. Mas de forma inesperada o Capitão Gallore suspira e desaba em sua cadeira cabisbaixo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Kaji, ainda temos tempo para responder às ordens do General Berguer?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Creio que sim, se usarmos a energia restante na Imperatriz podemos fazer com que ela chegue antes da recusa enviada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Então tem sua primeira ordem como Imediato, Dr. Matsumoto. – recobra o orgulho. – Responda a ordem com afirmação, peça para que ignorem qualquer mensagem nossa posterior, mas avise que vamos precisar de carona. Só que dessa vez, em uma nave com aposentos decentes.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você sabe que ele vai odiar saber que perdemos outro cruzador.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-4348569295576811393?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/4348569295576811393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=4348569295576811393&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/4348569295576811393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/4348569295576811393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2009/09/amanhecer-iv.html' title='Amanhecer IV'/><author><name>Marco Rigobelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09362381787990675891</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6Bp-j3jm0s4/SjjzhPjOLMI/AAAAAAAAAKE/yN8Gysc8nP8/S220/stormtrooper_wc.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-3696895480038449279</id><published>2009-06-17T10:46:00.001-03:00</published><updated>2009-06-17T10:51:21.781-03:00</updated><title type='text'>Inumanos</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Nehoma&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Capitão! - gritou um homem franzino, quase imperceptível em meio a outras pessoas, entre urros de fuzis e pistolas. - capitão! Estamos errmmm... - Mais tiros e um grito de agonia que não arrepiaria uma espinha, a faria em pedaços. -... estamos sofrendo de problemas inesperados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos instantes depois, a comporta da nave se abre e uma rampa desce. Dela sai um homem alto, imponente, com a barba por fazer, cabelos escuros e olhos atentos. Vestindo um fino traje militar com incontáveis botões com funções das quais ele mesmo provavelmente não se lembra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É Tíbério Gallore, capitão de Imperatriz e uma lenda entre seus tripulantes. Assim que pisa no terreno árido e inóspito vê os tais problemas inesperados, seus soldados atirando quase em pânico contra coisas que parecem humanas, mas não podem ser. Ele vê e percebe que o confronto era injusto, cinco das coisas contra apenas três de sua tripulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tibério não tinha notado uma que escalara Imperatriz, mas que logo se fez notar com um rugido esganiçado e prontamente saltou contra o capitão que quase ao mesmo tempo olhou para cima, deu um passo para a direita, se abaixou e sentiu o monstro passar a centímetros de suas costas. A coisa assim que tocou o chão tomou novo impulso contra Gallore que já tinha fechado o punho e retraído o braço direito, respondendo com um soco forte na cara cheia de saliva e dentes que avançava contra ele. A criatura estava desacordada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Capitão Gallore então olha para sua equipe e leva a mão ao coldre, nesse momento ele se lembra que esqueceu sua pistola sobre o criado mudo e então pragueja enquanto corre na direção do confronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Atirem na cabeça! Atirem na cabeça! É uma ordem! - Ele gritava para seus tripulantes que pareciam não ouvir e acertavam no peito, nas pernas nos braços e se esquivavam de golpes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tibério então chega, pega o braço do homem franzino que o chamara e coloca o dedo no gatilho da arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco tiros. Cinco quedas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele arranca a arma da mão do homem e a trava. Todos os soldados tremiam feito crianças, ouso dizer que alguns até molharam as calças. Felizes de terem trajes impermeáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Droga Célio! Eu disse para atirarem na cabeça! - gritou o Capitão disparando perdigotos contra cada um dos envolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual seu critério para decidir que atirar na cabeça seria o mais correto? - Desce da nave um jovem asiático, de óculos bem desenhados, cabelos milimétricamente arrumados, com um computador de bolso a mão fazendo anotações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque seria mais rápido e mais econômico. - Tibério faz com a mão um gesto que é prontamente atendido pelos homens, fazendo-os ir até a nave. - Muito conveniente para você só colocar esse traseiro magrelo para fora da nave depois que nós arriscamos os nossos. Explique-me Kaji, por que ainda mantenho você na tripulação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque sem mim você teria pelo menos 25 mortes entre suas estatísticas pessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Capitão ficou em silêncio, odiava dizer qualquer coisa como "faz sentido", "tem razão" ou o dolorido "obrigado". Mas Kaji já estava acostumado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como sabia que a cabeça era o ponto mais frágil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque eles parecem com humanos, e se nos humanos a cabeça é a área mais frágil, neles também deveria ser. - O capitão conclui, entregando a arma para Kaji e se abaixando para analisar os corpos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que só para você isso faz algum sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gallore vira os corpos tombados e vê que são realmente parecidos com humanos, mais altos, mais magros, pálidos e totalmente desprovidos de pelos, além de dentes afiadíssimos e olhos negros, profundos. Ele também notou que sua pele é demasiado elástica, quase uma borracha, o que explicava o fato de poucas balas terem penetrado o corpo. Mas em compensação, suas cabeças tinham pele mais fina, quase uma membrana. Eram aberrações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguma idéia do que essas coisas sejam? - Tibério olha para cima na direção de Kaji.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nenhuma. Mas posso dizer que são uma descoberta científica memorável. - Kaji então recebe uma mensagem em seu comunicador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tibério se levanta, suspira, tenta encaixar o raciocínio em seu devido lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então que conste nos autos. - chuta a cabeça de uma das criaturas mortas. - estou extremamente satisfeito por colaborar com o avanço da ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Capitão vai na direção dos soldados e verifica se eles sedaram o alienígena desmaiado. E junto com eles o leva para dentro de Imperatriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que descobrimos? - Era Tibério, cansado de esperar 5 horas pelos exames de Kaji, foi até ele perguntar o que tinha conseguido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Primeiro que o sinal nesse fim de mundo é uma porcaria. Segundo, estamos de frente para a primeira mutação genética humana não monitorada que se tem notícia. - entrega uma prancheta para Tibério. - Agora tem outra façanha científica para colocar nos autos como sendo descoberta sua. - Sorri com ironia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma aí, quer dizer que essa coisa é um humano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Capitão Gallore! Doutor Matsumoto! - os interrompe um homem negro, alto e muito forte batendo continência e demonstrando respeito sincero pelos dois superiores dentro daquela sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- À vontade, tenente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A presença do senhor está sendo requisitada na ponte de comando para as permissões de liberação dos veículos de pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tibério e Kaji então se dirigem para a ponte de comando, lá chegando, torna-se notável a variedade étnica da tripulação. Isso se deve ao fato de Imperatriz ser uma das naves pertencentes à Força de Ordem Humana. Um exército militar criado em uma tentativa de união das supra-regiões a fim de tratar dos assuntos humanos sem arbritariedades, como os povos alienígenas fazem. Mas isso não deu muito certo já que as poucas naves participantes são apenas designadas para missões diplomáticas de pouca importância e de exploração de futuras colônias. Bom, a missão sofreu sérias reviravoltas nesse caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Reporte as unidades envolvidas na missão de reconhecimento, Primeiro-Tenente Kaneda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Usaremos nossos três veículos de exploração com três soldados em cada, Capitão. - Respondeu o homem baixo com traços e severidade dignos de um samurai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer dizer que cabem mais dois? - Perguntou Tibério, que foi prontamente fitado com curiosidade por Kaji.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois de suas descobertas, creio que vai querer ir também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acertou, mas por que você também vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque vamos finalmente ter alguma ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Capitão! - Um homem, na casa dos 25, loiro e mirrado com um comunicador avançado na cabeça levanta a mão e se vira para Gallore e Matsumoto. Consegue a atenção de ambos. - Acabamos de receber um comunicado criptografado do General Berguer, ele ordena que deixemos de lado a missão atual e que partamos imediatamente para os limites de Alpha Centauri. Nossa missão é investigar a região na qual o corpo tecnorgânico foi descoberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tibério parou por um instante, olhou a tripulação, suspirou e respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual a cadência de transmissão, Oficial Lahm?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cerca de oito horas terrestres, Capitão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Responda com recusa, nossa missão é muito mais importante, e foi dada por alguém superior a ele. - o Capitão Gallore percebe temor nos olhos de Kaji.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenente Kaneda, ordene que as equipes de exploração se posicionem, partiremos em quinze minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kaneda responde com uma continência e vai até um microfone comunicar as ordens a todos da nave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que está olhando Dr. Matsumoto? Sei que você odeia a idéia de não poder estudar essas suas amadas aberrações técnobiológicas. Mas veja pelo lado bom, te deixo até dar um nome para nossas monstruosidades. Além do quê, não vou precisar te agüentar falando sobre elas como um fanático evolucionista, penso vendo você que deve ter sido um porre conviver com Darwin. – Tibério vai em direção a saída. – Agora vá arrumar seu equipamento de estudos. Temos trabalho a fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-3696895480038449279?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/3696895480038449279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=3696895480038449279&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/3696895480038449279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/3696895480038449279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2009/06/inumanos.html' title='Inumanos'/><author><name>Marco Rigobelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09362381787990675891</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6Bp-j3jm0s4/SjjzhPjOLMI/AAAAAAAAAKE/yN8Gysc8nP8/S220/stormtrooper_wc.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-7247713911373421386</id><published>2008-01-11T13:34:00.000-02:00</published><updated>2008-01-17T11:39:16.092-02:00</updated><title type='text'>Renovatio</title><content type='html'>O farfalhar do material plástico denunciava que a incubação já havia começado. Logo, lânguidos gemidos começaram a ecoar, e pequenos solavancos onde outrora havia uma cozinha começaram a se tornar freqüentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Não... por favor, ele não...&lt;/em&gt;” – foi o único pensamento que pôde passar pela mente do tenente Karl “Nigh” Gaerfner, enquanto observava aquilo que, poucos minutos atrás, fora seu melhor amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Resiste Was!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, somente gritinhos e gemidos foram em sua resposta. Na mesa, literalmente soterrado por plásticos e outros materiais termo-isolantes, o também Tenente Nikkolai “Was” Heinderrs ainda dava sinais de que sua consciência agüentaria mais. Bem mais. Agüentaria, simplesmente, o pior. Ao redor dele, criaturas o observavam, pacientes, analisando tudo o que lhe ocorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já haviam se passado 4 – talvez 5, ele se corrigiu – dias terrestres, desde que aquela missão diretamente ao circo de aberrações lhes fora sancionada, e ele não poderia deixar de se sentir culpado por tê-los levado deliberadamente até ela. Ele estava triste e melancólico com o final daquela relação que o havia feito saber quem era por grande parte de sua vida, e ele precisava de um pouco de aventura. Portanto, nada mais claro que, quando um sinal fraco mas indistintamente humano fora sentido de um ponto considerado como “terras hermas” do espaço de Zeta, ele seria o primeiro a se oferecer. Claro, quem poderia pensar que um sinal de resgate de uma freqüência tão conhecida poderia significar “armadilha mortal com coisas que possuem corpos”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele fora avisado, é claro. Bem, isto é, se você considerar uma lenda para assustar recrutas da Força Aeroespacial da União como um aviso mais do que consideraria uma daquelas histórias de fantasmas que são vistas, em alta definição, por lobinhos e escoteiros, mostradas por tios imbecis que perdem o tempo comprando esses discos laser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as histórias que ali foram contadas, desde os dragões de néon que circundam as naves daqueles que estão marcados para morrer em Pégaso-51, até os devora entulhos dos buracos negros, aquela parecia ser a mais improvável. Afinal, quem acreditaria que uma sucata, como a &lt;em&gt;Renovatio&lt;/em&gt; – antiga nave-colônia exploradora da União, antes mesmo que a União fosse “A União” – estivesse mesmo possuída pelo mal? Ou, por algum membro da guilda de Anthérion? Ou seja lá o que for que você acha que faz o contrário do que você gosta? Aliás, um mal com um senso de humor muito pobre, para tomar uma nave onde seu nome quer dizer nenascer, renovação, e abrir nela sua fábrica dos horrores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ali estava ele, preso, o único dos 4 enviados que ainda usava seu traje espacial, já que era o único que ainda precisava de algum tipo de suprimento de oxigênio. Aliás, segundo lhe constava, ele era o único dos quatro que ainda era humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isto parecia apenas uma questão de tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-7247713911373421386?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/7247713911373421386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=7247713911373421386&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/7247713911373421386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/7247713911373421386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2008/01/renovatio.html' title='Renovatio'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13725862850666051198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_WKktM0sX19g/SkhOAC-ZWEI/AAAAAAAAAFg/qZ0afJFehmU/S220/230908192655-01.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-8680860414818909905</id><published>2007-06-11T11:22:00.000-03:00</published><updated>2007-06-11T11:58:42.455-03:00</updated><title type='text'>Eu Sou</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Mi Estas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cambaleante, um pé, o outro, uma mão na parede. Números, números um e zero andando em seqüência na frente dos seus olhos, difícil de pensar. Concentrar. Computador, precisará traduzir os zeros e uns em seqüência que &lt;a href="http://uniaohumana.blogspot.com/2007/01/boa-noite.html"&gt;manuscreveu a noite toda&lt;/a&gt; e que ainda superpovoam sua cabeça. Um pé. Outro. O corredor é longo imenso,  embora se lembre dele como curto. Difícil caminhar. As paredes de metal da Oportunidade não oferecem apoio. Um pé. O outro, não. Joelhos no chão, precisa se levantar, precisa continuar. Queda sobre a cadeira. Difícil falar, difícil pedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Computador...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Análise...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrir leitor, inserir dados. Tarefa simples para qualquer criança, mas heróica quando tudo que está na sua mente é 1 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1 1 1 infinitos. Um som agudo, ouvidos dóem, olhos fecham. E então o silêncio, a clareza. Finalmente o dr. Silveira era ele mesmo nesta manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ruído algum, uma folha de papel foi emitida às mãos do cientista. Estranho, uma vez que não foi acompanhada de um cordial "sua análise está concluída, doutor", o que obviamente impedia que o doutor respondesse com um cordial, ainda que desnecessário, "obrigado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inconscientemente trêmulas, as mãos de Gustavo seguravam o papel diante de si. "Curioso, porque estou sentindo isso?" A mente de um cientista é algo realmente interessante, uma vez que, dentre todos os seres do universo, são os únicos cujo cérebro tem a capacidade de qestionar a razão de qualquer coisa, desde a existência de uma divindade superior até uma coceira no dedinho do pé esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então ele leu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou o medo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que vós tendes daquilo que escapa de vossa limitada percepção;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a incerteza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que vós sentis ao deparar-vos com as possibilidades infinitas do futuro;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a desconfiança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que vos torna incapazes de crer em teus pares e vos pondes equivocadamente acima de teus semelhantes;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a desavença&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Germinando lentamente em vossos cérebros incompatíveis;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a solidão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que vos assombra por serdes incapazes de encarar o infinito sem tentar vos comparar a ele;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou o silêncio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que vos toma e torna vosso conhecimento inacessível e limitado;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a dor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Espalhando-se inexoravelmente em vossos corpos e em vossas mentes;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a cegueira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que impondes a vós próprios quando impondes parâmetros mínimos a uma verdade cósmica;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a dúvida;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a corrupção;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a mentira;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a morte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E eu sou vós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Contemplou o texto por um tempo, depois releu. Um poema. Um poema de morte. Uma mensagem, um aviso. Uma forma de comunicação de uma inteligência desconhecida. E hostil. Uma ameaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se desesperou, se alarmou e sequer seu coração deu-se ao trabalho de acelerar seus batimentos. Mas seu cérebro respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou o medo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que vós tendes daquilo que escapa de vossa limitada percepção;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;"Eu não temo, eu busco. Se há algo que me escapa, eu não descanso até entendê-lo; se minha percepção é limitada, eu crio os meios para expandi-la."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a incerteza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que vós sentis ao deparar-vos com as possibilidades infinitas do futuro;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;"Não hé incerteza, há a ignorância. E minha existência dedica-se a erradicá-la. As possibilidaes do futuro são tão infinitas quanto a minha capacidade de reduzi-las."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a desconfiança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que vos torna incapazes de crer em teus pares e vos pondes equivocadamente acima de teus semelhantes;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;"Desconfiança só afeta aqueles incapazes de encontrar o denominador comum em um ponto de discórdia. Ninguém está acima de ninguém, todos evoluímos e temos nosso lugar no universo."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a desavença&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Germinando lentamente em vossos cérebros incompatíveis;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;"Nossas diferenças nos fortalecem, um cérebro complementa o outro. Somos individualmente limitados, mas unidos nossas realizações são incomensuráveis."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a solidão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que vos assombra por serdes incapazes de encarar o infinito sem tentar vos comparar a ele;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;"Sim, comparo-me ao infinito, mas não me sinto insignificante. Apenas percebo que ainda há muito a ser descoberto, o quão imensa deverá ser nossa criatividade para preencher tanto espaço."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou o silêncio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que vos toma e torna vosso conhecimento inacessível e limitado;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;"Então eu sou a voz, e todos, inclusive eu, seremos ouvidos."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a dor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Espalhando-se inexoravelmente em vossos corpos e em vossas mentes;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;"Aqueles que sentem dor são os únicos capazes de realmente valorizar sua existência. É isso que torna as criaturas vivas mais perfeitas que qualquer máquina."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a cegueira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que impondes a vós próprios quando impondes parâmetros mínimos a uma verdade cósmica;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;"Parâmetros existem para serem destruídos. A verdade só é verdade até que seja desvendada como mais uma mentira. Se não a conheço, certamente lutarei para conhecê-la."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a dúvida;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;"Eu sou a descoberta."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a corrupção;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;"Não se vende a própria vida."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a mentira;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;"Então sois efêmero."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou a morte&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;"Eu sou meus filhos, meus netos, bisnetos... sou infinito!"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E eu sou vós.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;"Eu sou a inteligência da vida. Sou a única coisa capaz de vos deter."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Inspirado pela música "Cosmic Fusion", do Ayreon, parte da ópera metal "Into the Electric Castle"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-8680860414818909905?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/8680860414818909905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=8680860414818909905&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/8680860414818909905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/8680860414818909905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2007/05/eu-sou.html' title='Eu Sou'/><author><name>Fabio Ciccone</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07394266206987306035</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uCy9R_TiOXk/TFvnBb0mBfI/AAAAAAAACBA/2F-_2DmI2-I/S220/fam3.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-4969354996325401798</id><published>2007-04-03T17:15:00.000-03:00</published><updated>2007-04-18T16:01:59.736-03:00</updated><title type='text'>Estranhos Estranhos</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Stranga Nekonatoj&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você acorda pela manhã e, quando olha para o espelho, não vê a si próprio, o que faz? O que pensa? Exatamente. Era isso que o Capitão Gael Wülf sentia naquela manhã. O reflexo que olhava de volta inquisitivamente pouco lembrava sua própria face. Um fantasma, um zumbi, era isso que via. Um olhar morto, um rosto cadavérico, pálido. Dias sem dormir, e quando dormia era certeza de pesadelo. O capitão da Oportunidade aguardara ansiosamente pela chegada da Onda, o raro fenômeno cósmico, agora iminente, mas não queria que fosse daquele jeito. Não com tanta gente, não com uma crise de alienígenas nunca antes vistos e potencialmente hostis a ser resolvida. Wülf agora entendia. A Onda era como uma droga, que desperta sua consciência para a multiplicidade, infinitude e infimidade do universo, mas, ao contrário dos químicos, ela não destruía seu corpo, ela o fortalecia. Mas ela viciava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Capitão – chamava a imediata Torres pelo intercomuncador. – é melhor o senhor subir à ponte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando passos lentos e arrastados de quem acabou de acordar, ainda que a última vez que tenha de fato acordado tinha sido já há algum tempo, o capitão passava pelos corredores de sua nave, sua casa, como Geni entregava-se ao homem do zepelim na antiga parábola. A altivez de herói de guerra havia sumido, o respeito que era de se esperar de quem já havia executado tantos feitos grandiosos não mais era inspirado em ninguém. Pena. Era isso que Gael despertava nas pessoas naquelas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta abriu, silenciosa, enquanto o capitão tentava se recompor para encontrar sua tripulação. Os olhos de seus oficiais o perseguiam, mas ele não podia fugir. Ele era o capitão da Oportunidade, oras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, imediata, o que tem pra mim?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Bom dia, senhor. Os sensores detectaram múltiplos buracos de minhoca do lado oposto do cinturão de asteróides.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acabaram de chegar, senhor. Até o momento contamos dezesseis naves grandes, possivelmente naves-mãe. Tentamos entrar em contato, mas a estrela tá bloqueando o sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos manobrar pra conseguirmos sinal. Se tem dezesseis naves, devem ser de alguma raça com quatro dedos em cada mão. Temos alguma informação sobre alguém que teria o que fazer pra essas bandas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mehdikhani? – a imediata virou-se para um dos oficiais, um rapaz moreno que não tirava os olhos de um monitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um momento, senhora... aqui. Parece que fechamos um acordo com Aduuhr há algumas semanas que dá a eles o direito de explorar o lado de lá do cinturão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, que ótimo! Mandam minha nave para um sistema e nem me avisam que não tenho jurisdição sobre ele todo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão estava transtornado. Controlando-se, mas transtornado. Não era nem o problema de de repente ter que lidar com uma outra raça sem estar sabendo. Isso, Wülf já havia feito milhares de vezes antes. O problema era a Onda. De novo, a Onda, a maior resposta e fonte de perguntas de sua vida. Antes que fosse capaz de concluir sua odiosa linha de pensamento, o jovem Mehdikhani interrompeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem mais, senhor. Quem fechou o acordo foi nosso hóspede, o senhor Cassini.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Capitão suspirou, coçou os olhos e resmungou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mandem o senhor Cassini subir aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em comparação ao sério silêncio da ponte, a chegada de Miguel Cassini, quarenta e cinco minutos depois que fora chamado, parecia uma tempestade. Não que fosse particularmente barulhento, mas sim porque a tripulação estava atipicamente quieta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem morreu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cassini, por que tem aduuhranos do outro lado do cinturão de asteróides? - logo se via que senso de humor não era o forte do Capitão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é, não te contaram? Eles trocaram cinco anos de combustível pelos direitos de explorar aquele lado do cinturão, vai entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre todos os presentes, Gael Wülf era o único que entendia. E não gostava nem um pouco do rumo que aquela história estava tomando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vem cá, Cassini. O almirante da frota deles tá na linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão levou seu colega negociador até um dos terminais de comunicação no sobrepiso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na tela! - ordenou, fazendo com que o grande visor deixasse de exibir o espaço fora da Oportunidade e passasse a mostrar uma criatura de longos pêlos marrom-acinzentados, lábios protuberantes à frente de um longo focinho, trajando vestes soltas, porém ricamente detalhadas. O líder aduuhrano parecia ainda mais áspero do que era de se esperar de um dos seus. E então Miguel o abordou. Em aduuhrano, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Glukta viiz, hamaak je tuun. Hanja-nii guk, mih-ti ne cluuhz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O almirante riu do outro lado da linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observando sem entender, Wülf mostrava-se tenso. Afinal, se Cassini escolhesse dialogar com o alienígena em esperanto ao invés de aduuhrano, o sistema de tradução funcionaria e as palavras do almirante seriam gentilmente legendadas a todos que quisessem lê-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diálogo prosseguiu por alguns minutos, até que algum dos dois de despediu e o outro desligou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você tá escondendo, Cassini?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque não conversou com ele em esperanto pra todo mundo entender?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- São pequenos detalhes da diplomacia que eu não espero que seja capaz de apreciar, Capitão. E então, quer saber o que a gente conversou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diplomata achou que o resmungo de Wülf queria dizer "sim", e então explicou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Primeiro, o Almirante Haashtah perguntou se estávamos a par da presença destes "desconhecidos", e se a gente sabia alguma coisa sobre eles. Disse que sim, estávamos a par de sua chegada iminente, mas não conseguimos descobrir nada sobre eles. Ele me falou algumas coisas técnicas que depois traduzirei com calma para perguntar para alguém que tenha algum conhecimento sobre rebimboca da parafuseta, e então ele disse que uma das filhas dele está para completar dezenove anos e que ele gostaria que esse assunto fosse resolvido logo para aproveitar a festa da menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada de útil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, ele também pediu que eu te agradecesse pelos reforços neste momento de crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê? Mas que ref...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor! - uma jovem oficial de olhos puxados e pele cor de cobre interrompeu impetuosamente - Múltiplos buracos de minhoca no quadrante alfa, senhor! Sete, nove, treze... quinze naves classe B ou C!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que merda... Contato, rápido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Procurando... sim, contato visual, senhor! Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o quê, criatura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É a insígnia do Leão Branco, senhor! São naves da Euroáfrica!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-4969354996325401798?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/4969354996325401798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=4969354996325401798&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/4969354996325401798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/4969354996325401798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2007/04/estranhos-estranhos.html' title='Estranhos Estranhos'/><author><name>Fabio Ciccone</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07394266206987306035</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uCy9R_TiOXk/TFvnBb0mBfI/AAAAAAAACBA/2F-_2DmI2-I/S220/fam3.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-116801303779113266</id><published>2007-01-05T13:52:00.000-02:00</published><updated>2007-01-05T14:04:46.726-02:00</updated><title type='text'>Boa Noite</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Bonan Nokton&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cinco saíram exaustos da longa reunião, na qual nada foi realmente descoberto e muito pouco foi efetivamente decidido. Um a um, deixaram a sala para seus aposentos, em busca de um merecido descanso para o corpo e alguma luz para o cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina Lykos deixou-se cair sobre a cama como se pesasse toneladas. Impossível era deixar de pensar em como se sentia excluída entre as pessoas mais importantes da civilização humana atual. Quem era ela, afinal? A especialista em Relações Públicas andando por aí com a maior mente, o maior guerreiro, o maior diplomata e o líder destes três. Sentia-se mal. Tinha que fazer seu trabalho, é claro, e tinha plena consciência de que, apesar dele ser essencial, jamais teria glórias. Ossos do ofício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que a incomodava mais não era ela se sentir inferiorizada, mas sim o fato dos demais (com exceção, talvez, do próprio onipresidente Reis) não fazerem questão alguma de deixá-la mais confortável. Suas opiniões sempre eram relegadas ao segundo plano, a palavra mal era passada a ela e raramente fazia parte de alguma decisão. Era sempre "o que acha, Carolina?", e antes que pudesse concluir qualquer raciocínio era interrompida pela voz de um dos grandes heróis da raça humana. Heróis. E ela era só uma qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, discordava de algumas das coisas ditas naquela sala, sabia que algumas das decisões tomadas afetariam a opinião pública de forma negativa e que algumas coisas postergadas eram emergência. Mas também, naquele momento, sua posição de inferioridade fazia com que ela pouco se lixasse. Afinal, pensando bem, dentro de poucos dias estariam todos mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela rezou e dormiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto do capitão era o mais confortável, mais até que o do onipresidente, já que, se alguém presente na nave tinha que descansar bem, essa pessoa era o capitão. Dentro da nave, ninguém era mais importante, ninguém tinha que tomar mais decisões e ninguém tinha mais responsabilidade sobre a vida de todos os demais tripulantes do que o capitão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Oportunidade, o fardo do capitão Wülf era ainda mais pesado. Não era só a vida da tripulação que tinha sob suas asas, era a vida de um sistema solar inteiro, de toda raça humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitou-se, após dois comprimidos e um copo de uísque. Sonhou com a irmã, com ciborgues amebóides e com sangue, muito sangue. E sonhou com a realidade se curvando em ondas provenientes do infinito. Sonhou que era um com o universo. Mas foi só um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A irmã dele tem sonhos premonitórios, sabe? Mas ele não acredita nessas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao abrir automático da porta, a voz da secretária virtual do quarto anunciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, doutor. Há uma ligação urgente do doutor Hamud Ibn-Nur para o senhor em minha memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sons eram indescritíveis. Horríveis, horripilantes. Estampavam dor, carne rasgada, bipes. A tela mostrava chuviscos às vezes interrompidos por luzes verdes ou vermelhas. O dr. Gustavo Silveira a tocou de novo, de novo e de novo. Suava frio só de pensar o que poderia haver de errado com o dr. Hamud, que ele pessoalmente tinha deixado responsável pela Espécie Tecnorgânica I em sua ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta vez, conseguiu distinguir uma frase, dentre os gritos e chiados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sexuada. Definitivamente sexuada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gustavo Silveira tentou acalmar-se e pensar direito. Tinha duas certezas: seu colega estava morto, e todos na estação de pesquisa corriam o mesmo perigo. O mais lógico seria ligar para lá e passar algumas instruções, averiguar o que aconteceu. Porém, sentou-se ao computador e passou a noite escrevendo sem parar. Quando finalmente deitou-se para ler o que havia escrito, não conseguiu entender nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia passado a noite inteira digitando uma seqüência interminável de zeros e uns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá Miguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ônix, minha bela Ônix, é um prazer incomensurável ouvir sua doce voz no final do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei, meu amor... fui programada para isso. Venha, deixa eu te fazer uma massagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, Ônix, só você para saber exatamente o que eu preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me conta, querido, como foi a reunião?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha cara, não quero te importunar com detalhes enfadonhos de uma reunião com pessoas chatas... aposto que podemos passar uma noite muito mais agradável sem isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, não fica irritado, gatão... você sabe que eu vou ficar quietinha enquanto você me falar tudinho... e eu sei que você também quer me contar... prometo que se você falar tudo eu te dou uma recompensa especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai ai, o que seria de mim sem você... adoro o fato de você ser uma mulher virtual especialmente preparada para atender minhas vãs necessidades psico-fisiológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei sei, Miguel. Conta pra mim, conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel contou tudo enquanto a consicência virtual Ônix balançava a cabeça, acariciava seus cabelos e massageava as costas. Dormiu feito um anjo após duas horas de sexo com a holografia sólida. Nem sonhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O onipresidente Reis entrou no quarto, colocou para ouvir uma canção relaxante e sonhou que era um ciclista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São treze e quarenta e três no Complexo de Comunicação Interestelar da Euroáfrica. Como era de se esperar desta época do ano, a Euroáfrica subsaariana estava um inferno de quente. Claro que não era bem por isso que a Tenente-Coronel Vanya Byr usava trajes tão curtos. Ela se vestia exatamente assim nas convenções do partido no inverno congelado da Escandinávia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então? – Karolus Guttenberg entrou na sala após a luz vermelha que indica "em uso" se apagou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi melhor do que imaginava. Tenho muito a relatar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Descobriu muita coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Descobri tudo. Reis está nas nossas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cassini? Acredita piamente que eu sou um programa de computador. Incrível não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Incrível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-116801303779113266?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/116801303779113266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=116801303779113266&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116801303779113266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116801303779113266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2007/01/boa-noite.html' title='Boa Noite'/><author><name>Fabio Ciccone</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07394266206987306035</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uCy9R_TiOXk/TFvnBb0mBfI/AAAAAAAACBA/2F-_2DmI2-I/S220/fam3.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-116497483115800798</id><published>2006-12-14T10:06:00.001-02:00</published><updated>2008-12-19T18:19:31.264-02:00</updated><title type='text'>Gato Preto</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Nigra Kato&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu não fosse divorciado, eu ia ter que ouvir minha mulher dizendo “não disse?”. Mas também, não ia ter dançado tanto, bebido tanto e com certeza ia ter dormido mais cedo, e também me divertido bem menos. Ela era (era não porque não morreu de verdade, mas porque morreu pra mim) uma insuportável, é a cara dela dizer pra não atravessar a nebulosa com sono. Mas no fim das contas eu sou divorciado, dancei com umas vinte fêmeas, bebi todas e dormi só uma hora e meia antes de pegar a nebulosa. Eu juro que tomei pó de guaraná (dos transgênicos, o vendedor me garantiu que era tiro e queda), mas não funcionou direito, já que, se for ver, era o cansaço dos pés, a bebice do cérebro e a poeira nos olhos contra só uma cápsula de pó de guaraná. Tá, tá, duas, vai. De qualquer forma, não tiveram chance. Colisão, gerador de buraco-de-minhoca quebrado e pronto, fiquei lá, uns dois dias indo devagarzinho na direção de uma estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha muito o que fazer, daí fiquei esperando o computador de bordo me responder qual estrela era. Psi do Capricórnio, terra de nolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nolograbianos, ou simplesmente nolos, foram os primeiros ETs a terem contato aberto com a humanidade, sei lá, uns duzentos anos atrás. Eles vieram de Delta do Capricórnio, ali do lado, de um planeta chamado Nolograb, que na língua deles quer dizer "Lar dos Homens" (claro que quando dizem "homens" estão falando deles mesmos), "nolo" é a palavra que significa "nós" (que na verdade é eles... ah, você entendeu) e "grab" significa "lar". Bom, quando encontraram o planeta Terra perdido no meio do universo, foi uma revolução: trouxeram tecnologia avançada, expandiram nossos conhecimentos, ensinaram pra gente xenologia, xenopolítica e astrografia, e até despertaram na gente um espírito de comunidade que fez a gente se juntar e aí surgiu a União. Mas a graça não é essa. A graça é que, por algum motivo, depois que contataram os terráqueos, aconteceu um monte de coisas que levou a civilização deles, de repente, à queda. Eles até têm um ditado: quando dizem que "tal fulano contatou os terráqueos", querem dizer que ele foi à falência, se deu mal na vida. Daí os nolos acreditam seriamente que os seres humanos dão azar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente eu ia tentar evitar esse tipo de encontro. Sabe como é, se você é um gato preto não querer cruzar com um monte de gente que acha que você vai ferrar a vida deles. Mas a uma hora dessas, depois de uma viagem de bosta, um gerador de buraco-de-minhoca quebrado e dias flutuando que nem caramujo pelo espaço, você não liga pra essas coisas. Você quer parar no primeiro lugar e tomar uma cerveja (como se fosse ter bebida humana pra vender em alguma colônia de Nolograb, mas enfim...). Consegui pusar, daquele jeito, em um espaçoposto avançado em um planetóide na periferia do sistema. Tinha uma pá de luzes coloridas berrantes, porque a rocha ficava muito longe da estrela e por isso era muito escuro, naves velhas, envenenadas ou só esquisitas mesmo, o lugar meio que caindo aos pedaços... uma pocilga. Do jeito que eu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom de uma espelunca dessas é que não tem formalidade. Você chega pousando a nave, não tem que ficar pedindo autorização de pouso e tal. Você chega perto e alguém abre a escotilha para você, já que pra eles quanto mais gente, melhor. Isso evita um monte de situações chatas e, melhor ainda, aumenta a surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora que eu cheguei, pensei: "bom, vou chegar já avisando que eu cheguei pra não assustar os caras". Aí eu entrei e a primeira coisa que eu fiz foi gritar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, pessoal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mano, foi só eu fazer isso e olha o que aconteceu: um nolo que tava indo no banheiro deu de cara com a porta; a garçonete derrubou uma taça de um negócio verde-limão em cima de um cara que tava sentado, quebrou o copo e o cara ficou brilhando a noite inteira depois; um casal que ia se beijar bateu a cabeça; a caixa de som da banda estourou e o barman deixou cair óleo em cima do fogão, fazendo pegar fogo no troço que ele tava fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa, pensei: "putz, agora vou ter que beber". Pedi lá o negócio mais forte que eles tinham (até agora não consigo pronunciar o nome daquela joça), e, mano, parecia que cada gole que eu dava, acontecia alguma coisa. Ou era nego começando briga porque bateu no outro sem querer, ou lustre caindo no meio da galera, comida voando pra lá e pra cá, mesas quebrando, panelas explodindo, gente caindo, gente morrendo, enfim, uma trexeira só. Demorou um pouco, eu já tinha passado do limite da memória e a parte seguinte eu só lembro uns fleches, só sei que eles se tocaram que tava acontecendo acidentes demais, e se ligaram que a culpa era minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A próxima coisa que eu lembro é que eu tava na nave, fugindo, e o computador não conseguia entender o que eu falava, e os caras tavam chegando, mas aí o da frente tropeçou e derrubou todo mundo, eu consegui digitar o comando no teclado (já tinha desistido de falar), a nave saiu e eu ainda consegui desviar de uns asteróides que tavam vindo na minha direção antes de apagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte aquela dor de cabeça básica, eu ligo o jornal e dá a notícia: o tal do boteco que eu tava ontem tinha sido destruído por uma chuva de meteoros que ninguém tinha previsto. Parece que uma "nave errante" tirou alguns asteróides da rota e por algum motivo bizarro eles não só colidiram com o lugar, mas também o explidiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, os nolos acreditam que quando um de nós cruza o caminho deles eles têm azar. E naquele dia eu cruzei com o caminho de um monte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-116497483115800798?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/116497483115800798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=116497483115800798&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116497483115800798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116497483115800798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2006/12/gato-preto.html' title='Gato Preto'/><author><name>Fabio Ciccone</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07394266206987306035</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uCy9R_TiOXk/TFvnBb0mBfI/AAAAAAAACBA/2F-_2DmI2-I/S220/fam3.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-116484998382588534</id><published>2006-11-29T23:26:00.000-02:00</published><updated>2006-12-06T21:13:27.070-02:00</updated><title type='text'>Oportunidade</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Ŝanco&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oportunidade. Não era a mais veloz nave da frota, nem era a mais moderna, ou ainda a mais equipada, mas era considerada a melhor. Diziam que era tudo graças ao capitão Gael Wülf que com competência e carisma marcantes, nunca havia perdido uma só batalha. Somente as pessoas mais íntimas de seu relacionamento podiam dizer que ele estava completamente tenso na reunião que se seguia em sua nave. Felizmente, ele não estava entre amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esquisito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dr. Gustavo Silveira já havia conferido os cálculos milhares de vezes, e aquilo não fazia sentido. Um ponto, um minúsculo ponto crescia na região do Cinturão de Alfa Centauro, uma pequena sujeira gravitacional e estava crescendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito, muito esquisito. Vejam senhores, não consigo explicar isso. Parece que está ficando mais denso... O tipo de evento que observamos parece uma impossibilidade física, até o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Exatamente por isso que você foi chamado, Dr. Gustavo. Somente um homem versado em tantas ciências poderia ter uma visão ampla o suficiente para tentar entender o que está acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que está acontecendo senhor Onipresidente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda não sabemos senhor Cassini. O que temos é apenas esta imagem que uma plataforma de mineração conseguiu mandar, antes de sumir do radar. A imagem está muito borrada, mas parece ser algum tipo de frota em rota direta para o epicentro da anomalia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, e os radares?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito pouco, a leitura é estranha. É como se esta frota estivesse em todos as posições possíveis da trajetória, e ao mesmo tempo não está. Não sei explicar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum... Tecnologia desconhecida, um destino onde as leis da física parecem estar desabando e você quer nos mandar para lá sozinhos e descobrir o que está acontecendo? Isso é absurdo! Capitão Wülf, não fique aí parado! Fale alguma coisa! Me ajude a botar um pouco de juízo no Onipresidente. Precisamos de uma frota, a maior que tivermos. Capitão? Está me ouvindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como? Ahn sim, não cabe a mim discutir a ordem de meu Onipresidente, mas realmente acho que ele está certo, senhor Cassini. Acho que devemos manter o “low profile”. Quanto menos pessoas melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quanto menos pessoas melhor."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-116484998382588534?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/116484998382588534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=116484998382588534&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116484998382588534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116484998382588534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2006/11/oportunidade.html' title='Oportunidade'/><author><name>Takren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03694815656640534829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_T5p-SKzANg8/SsZOIfEHylI/AAAAAAAAAA0/Z2fkKaViYWQ/s1600-R/avatar.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-116473348766863862</id><published>2006-11-28T15:03:00.000-02:00</published><updated>2006-12-04T01:36:04.530-02:00</updated><title type='text'>Breves Arquivos - Parte 01</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Nelongaj  Dosieroj - Parto 01&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Arquivos da Escola Espacial Euroafricana NYP-3&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Digite seu nome:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Yhaussef Mirmirguts&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Digite o assunto:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;História&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Digite o tema específico:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Origem da União Humana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Computando... AGUARDE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ano 2008&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ameaça iminente da Terceira Guerra Mundial. Povos da China apelam pelo poder. Os Estados Unidos perdem moralmente uma guerra contra o Oriente Médio. Morre de doença misteriosa o papa Bento XVII. Conclave dificílimo gera grandes polêmicas. Três cardeais morrem durante a votação. É eleito, depois de quatro meses, o nigeriano Francis Arinze, o primeiro papa negro da Igreja Católica. No salão dos papas, o último espaço para um rosto é completado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ano 2009&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declara guerra com todos os países que se opuserem ao poder da supremacia americana. Diz ser o primeiro imperador da Terra. Opositores o julgam o anticristo. Dá-se início à triste Terceira Guerra Mundial. Forças opositoras de todo o mundo promovem ataques de todos os tipos à América do Norte. O Natal Atômico rege o terror. Milhares de mortos nos primeiros grandes ataques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ano 2010&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Uma série de bombas nucleares sobre a Falha de San Andreas provoca o temido grande terremoto, aguardado para anos à frente. Uma nova ilha é criada. Sem motivos aparentes, a China dizima, com fortes ataques, o Vaticano e arredores. O fim da Igreja Católica tem seu início inesperado. Antigas escrituras proféticas confirmam todo o acontecimento. A nuvem radioativa não poupa ninguém pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ano 2011&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Fim da guerra. A América é derrotada. Inicia-se a Supremacia Amarela. É promovida a destruição de todos os arquivos e elementos que estejam escritos em língua inglesa. Imposto o mandarim em toda a Terra. Poucos países possuem tecnologia ainda em funcionamento. Do Brasil, surge a utilização de um combustível natural antipoluente, que é distribuído para todo o planeta. De lá, também, iniciam-se missões de manutenção e repovoamento das áreas perdidas da América do Norte. Há indícios de que uma nova potência desperta, após a chinesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ano 2087&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Uma doença contagiosa e mortal acaba praticamente com a população da China. Em dois meses, quase 1 bilhão de pessoas é morta. Os países vizinhos não encontram outra solução que murar por completo o continente, isolando-o do resto do planeta. Em menos de uma semana, a Nova Muralha da China é construída, com tecnologia avançada. Altura de trinta metros, largura de meio quilômetro. Quase esgotaram-se as reservas de ferro do planeta. Mas quem ficou de fora da grande prisão amarela sobreviveu. É decretado o fim da Supremacia Amarela. Os países da Terra entram em votação para decidir uma nova forma de poder geral do planeta. É celebrado o Natal da Liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ano 2089&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A instabilidade política e o temor de uma nova "supremacia" faz com que os antigos países se unam, formando quatro supra-regiões: América (formada pelos 3 continentes americanos, com domínio dos brasileiros), Euroáfrica (Europa e África, com domínio dos europeus do norte), Oriente Médio (formado pelos países do antigo Oriente Médio e do subcontinente indiano, com domínio dos indianos) e Extremo Oriente (leste e sudeste asiático e Oceania, com domínio dividido). Segue-se uma paz armada, com as quatro regiões competindo e cooperando ao mesmo tempo. Teme-se uma nova guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ano 2092&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A ponto de quase estourar uma Quarta Guerra Mundial, o planeta Terra é visitado por nolograbianos (ou nolos), provenientes do planeta Nolograb, de Delta de Capricórnio. Pousam como amigos, oferecendo tecnologia e ajuda. Graças a todas as novas possibilidades, as quatro supra-regiões decidem juntar suas forças, formando a União Humana. Cada supra-região comandará, de cinco em cinco anos, por meio de votação mundial, as diretrizes e leis de poder da nova política. É instituído como língua oficial do planeta o esperanto. E são criados gigantescos hangares para construir espaçonaves com a nova tecnologia alienígena, e ajudar os planetas da estrela Delta de Capricórnio a estabelecer a paz no universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mais perguntas?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Igreja Católica era algo importante, não? O que aconteceu depois? O que aconteceu com a religião? E como os nolograbianos encontraram a Terra?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Insira 40 créditos estudantis&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Insira 40 créditos estudantis&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Insira 40 créditos estudantis&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Término da conexão.&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-116473348766863862?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/116473348766863862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=116473348766863862&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116473348766863862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116473348766863862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2006/11/breves-arquivos-parte-01.html' title='Breves Arquivos - Parte 01'/><author><name>André Lasak</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14069281432762258095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img426.imageshack.us/img426/4308/fotoparaorkut8nk.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-116412945364985697</id><published>2006-11-21T15:15:00.000-02:00</published><updated>2006-12-06T09:18:57.520-02:00</updated><title type='text'>Polícia e Ladrão</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Polico kaj Ŝtelisto&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe... estou com saudades do meu irmão. Faz tempo que ele não escreve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danielle e Laetitia conversavam descontraídas durante o jantar. Nestes últimos três anos, as duas desenvolveram uma relação intensa, quase como mãe e filha. Os cuidados e o carinho que Laetitia dedicava a Danielle era o mais próximo de um amor materno que a mais jovem já havia experimentado. “Laetitia significa ‘alegria’ em uma língua muito antiga”, disse ao se apresentar anos antes, e a cada dia Danelle concordava com o sentido do nome da amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Ah, Danielle, não fica assim não... você sabe que ele é ocupado, trabalhando na cosmonáutica e tal, sempre tendo que ir para planetas distantes, resolver problemas, salvar o sistema solar... essas coisas – Laetitia sorriu para Danielle, que retribuiu – garanto que entrará em contato assim que der.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei... mas de repente senti saudades. Ele sempre quis ser cosmonauta, desde criança. Conhecer o universo, descobrir planetas. No dia que ele pegou a primeira nave foi o dia que eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É... mas deixa isso para lá, OK? Vamos, é hora de ir para a cama, você teve um dia exaustivo. E nada de ficar lembrando dessas coisas antes de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danielle e seu irmão brincando de Polícia e Ladrão. Ele sempre quer ser a polícia. Ele tem só oito anos mas Danielle sempre deixa. Ele tem até um uniforme de capitão espacial com um monte de medalhas. Eles correm para lá e para cá, o irmão tentando pegar Danielle, mas a Danielle é maior e mais rápida e ele nunca consegue pegar ela, só quando a Danielle deixa, e ela sempre deixa, e os dois sempre ficam felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- JANTAAAR!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a mamãe. Ela fez peixe com limão, o prato que a Danielle mais gosta. Mas o irmão não gosta de peixe, mesmo que faça bem para a memória. Eles correram para a casa, e Danielle chegou primeiro. Mas chegando lá, a luz estava apagada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu irmão entrou depois, iluminando parcamente o local com a luz de fora, mas já era um adulto. O rosto grave, o olhar triste de quem conhece quase todo espaço conhecido mas sente saudade de casa. Caminhou lentamente em direção à irmã, e então um estrondo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danielle tinha medo, mas seu irmão se virou para protegê-la. Da porta destruída, vinha uma criatura. Não, não era uma criatura, era uma máquina. Quer dizer, uma criatura. Ou uma máquina. Uma criatura-máquina, enorme, guinchando. O irmão de Danielle atacou, e em um piscar de olhos foi feito em pedaços pela criatura/máquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! Não! Não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danielle acordou gritando, logo Laetitia chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acalme-se, Danielle, foi só um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não, preciso avisá-lo, preciso avisá-lo agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma, menina, foi um sonho, você sabe que foi só um sonho. Aqui, beba isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Danielle não bebeu. Preferiu pegar o copo e estilhaçá-lo na cabeça de Laetitia, deixando a enfermeira inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O hangar! Preciso chegar ao hangar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas finalmente ficaram claras para Danielle. Fazia tempo que os sonhos haviam sumido, mas os três anos na instituição não foram em vão. Agora ela tinha certeza que não estava louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos-luz dali, em seus aposentos na Oportunidade, o capitão Gael Wülf se lembrou de sua infância, de quando brincava de Polícia e Ladrão com a irmã, e deixou cair uma lágrima de seu rosto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sempre era polícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-116412945364985697?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/116412945364985697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=116412945364985697&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116412945364985697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116412945364985697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2006/11/polcia-e-ladro.html' title='Polícia e Ladrão'/><author><name>Fabio Ciccone</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07394266206987306035</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uCy9R_TiOXk/TFvnBb0mBfI/AAAAAAAACBA/2F-_2DmI2-I/S220/fam3.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-116355639298278509</id><published>2006-11-15T00:06:00.000-02:00</published><updated>2006-11-30T14:58:05.496-02:00</updated><title type='text'>O Vácuo</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;La Vakuo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vácuo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma imensidão negra e sem horizontes, estrelas silenciosas passando no vazio, apenas o som da minha respiração e um “bip” periódico avisando que o traje está funcionando perfeitamente. É disso que eu preciso, sair andando pelo lado de fora da plataforma no espaço aberto. É como meditação zen para mim, adeus preocupações. Apenas eu e meus pensamentos batendo um papinho e pondo a sanidade em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bip&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zarom parece tão pequena daqui, uma pequena bola branco-azulada. Tão calma e tão serena... Nem parece aquele inferno de vulcões de hidrogênio líquido. Não é um lugar que alguém em sã consciência gostaria de visitar, mas a União precisa de combustível. Pelo menos foi o que disseram para nós, quando nos enfiaram nessa plataforma de extração. O trabalho é duro, sem diversão nenhuma e extremamente perigoso mas o soldo é muito bom além abater uns bons quatro anos de serviço militar pela insalubridade. Arriscado? Sem dúvida, mas um bom negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bip&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou graças à tripulação que peguei todos honestos e amigos. Formamos uma família aqui nesses últimos trinta meses, o que é muita sorte levando em consideração que a última missão que veio aqui acabou em revolta, motim, loucura e uma queda até Zarom. Ainda pode-se ver a cratera negra, maculando a alvura da superfície do planetóide. Mas não é para baixo que eu gosto de olhar e sim para cima, para as estrelas além. Nada como sentar na fuselagem externa da plataforma e ver o universo passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bip&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ei! O que é aquilo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lester? Lester?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na escuta, qual o galho Eric?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem alguma coisa vindo pra cá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum... Não consta nada nos radares... O que você está vendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei lá! É grande e tá vindo muito rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um asteróide? Algum cometa não catalogado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- N-não, parece ser um tipo de nave. Nossa é muito grande e eu acho que eles não tão vendo a gente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nave? Impossível, essa rota é restrita e nenh...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mais de um! É mais de um! Não consigo contar quantos, é muito confuso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o radar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foda-se o radar! Olha pela escotilha idota! Como você não consegue ver essa merda? Tá aí pra quem quiser ver!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus! Eu tou vendo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então? Tira a gente daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não dá, os motores estão frios, vou precisar de no mínimo umas 3 horas. Fora que a ativação de emerg...SHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê? Lester? Lester?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Droga, era o que faltava. Uma falha elétrica justo agora, estamos mortos! Mas que diabo de nave é aquela? A velocidade dela é impossível. Vamos bater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casco da plataforma está tremendo. Agh! O calor dos propulsores. Uma luz branca invade meus olhos, impossível de não ver, mesmo de olhos fechados. Está tudo chacoalhando, assoviando, pedaços de coisas se chocando com a minha roupa espacial&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o silêncio novamente, quando finalmente volto a enxergar tento me localizar... Lá está Zarom, perto demais, mau sinal. E onde está a nossa plataforma? Tento contato. Nada, tudo se foi. Parece que realmente estou sozinho aqui, flutuando a esmo no meio do vácuo espacial, eu deveria estar com medo agora mas não estou. Tudo está tão calmo, silencioso e bonito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe de uma coisa? Faz uns quarenta minutos que não ouço um “bip”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-116355639298278509?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/116355639298278509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=116355639298278509&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116355639298278509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116355639298278509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2006/11/o-vcuo.html' title='O Vácuo'/><author><name>Takren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03694815656640534829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_T5p-SKzANg8/SsZOIfEHylI/AAAAAAAAAA0/Z2fkKaViYWQ/s1600-R/avatar.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-116292830896587506</id><published>2006-11-14T10:23:00.000-02:00</published><updated>2006-11-30T14:56:24.873-02:00</updated><title type='text'>A Onda</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;La Ondo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/309/108/1600/109451/A-Onda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: left; cursor: pointer; width: 214px; height: 133px;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/309/108/200/340174/A-Onda.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um soco bem no meio da cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acreditei em você, Capitão! Acreditei em tudo que você tinha dito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houve resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato do tenente Charles Beckings da Oportunidade estar em pé, de punhos cerrados, e seu capitão Gael Wülf estar no chão, se levantando enquanto limpava o sangue em sua boca, era suficiente para deixar o tenente preso por tempo indeterminado por insubordinação. Mas nada disso tinha importânica. Não quando os dois estavam sozinhos, na beirada de um penhasco, respirando o fétido e revolto ar da Colônia Sírio 1. Ainda menos quando a um deles o paraíso havia sido prometido e negado pelo outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você prometeu, capitão. Você tinha me falado da Onda, tinha me falado que era como sentir todo o universo, tinha me falado de tudo isso. Eu lutei ao seu lado, eu segui suas ordens, tudo isso para nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você prestou um excelente serviço para a União.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dane-se a União! Eu fiz isso por você, capitão! Porque acreditei nas merdas que você me falou! Você foi meu guia, capitão, e eu te segui, e ia seguir até o inferno!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora vai me mandar para lá, é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tirou parte da minha vida, capitão, então eu vou tirar a sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento uivava com violência, movendo as nuvens acinzentadas pelo céu cor de musgo do crepúsculo da colônia e calando a voz turbulenta do tenente Beckings. Se ele não podia fazer sentir sua ira por meio da voz, ele então o faria pelos punhos. Que o mentiroso capitão beijasse novamente a rocha negra e fria do solo da colina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem e proeminente imediato Wülf conta uma história, de sobre como ele passou meses preso em um calabouço sujo em um satélite lank durante a Guerra das Cobaias, e sobre a história que o alguilês na cela da frente contou a ele, a história das Ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... aí o alguilês olhou pra mim com seus dois pares de olhos refletindo a minha cara barbada e suja. "De tempos em tempos", ele disse, com aquela voz esganiçada que vocês conhecem, mas sem a arrogância que vocês esperariam, "a realidade se dobra. Ninguém sabe ao certo porque ou a partir de que ponto, mas ela se dobra e se espalha por todo o universo como uma onda, como se o universo inteiro fosse uma poça d'água e caísse uma gota bem no meio. Agora, imagina uma Onda de realidade do tamanho do universo, o que ela é capaz de fazer com um ser". "Ah, tá", eu disse, "olha só, não quero duvidar dessa história toda e tal, mas se houvesse mesmo uma 'dobra na realidade', você não acha que todo mundo ia ser capaz de senti-la? Quer dizer, ninguém nunca tinha me falado disso até eu ficar preso aqui com você". Aí ele disse "Ninguém ou nenhum terráqueo? Porque meu caro, em Alguil e em centenas de outros mundos essa história é real e é disso que vivem muitos sacerdotes de muitas religiões. Aposto que na Terra tem isso também, mas como outro nome". Bom, aí eu fiquei pensando naquilo por um tempo, mas cheguei à conclusão que era viagem dele. Uns dias depois, a cavalaria chegou. Nosso exército entrou chutando a porta e liberou todo mundo. Eu estava correndo para a nave de resgate, só que, do nada, apaguei. Acordei horas depois, estava em uma câmara escondida junto com o alguilês. Quando fui perguntar para ele o que tinha acontecido, ele só respondeu, "Aguarde, terráqueo. Vou te levar para surfar a Onda".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era verdade então? - alguém no meio do pequeno grupo que ouvia ao imediato perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu amigo, não só era verdade, como foi a maior experiência pela qual já passei em toda minha vida. Foi como comungar com o universo, foi como descobrir o significado de tudo e saber as respostas para todas as perguntas. E então, acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquela conversa, metade das pessoas saíram revoltadas, já que estavam esperando uma história de guerra e de repente Wülff chegou com esse papo de religião. A outra metade ficou lá ouvindo por graça, achando divertido e interessante. Mas só uma realmente prestou atenção e entendeu o que Wülf dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor... gostaria de saber mais sobre esta Onda... e sobre como eu posso fazer para surfá-la como o senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois bem, sargento. Me acompanhe, e eu te mostrarei tudo o que precisará saber. Qual é seu nome mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sargento Beckings, senhor. Sargento Charles Beckings.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os punhos do tenente estavam cerrados com ódio, mas alguém que o observasse se sentiria mais ameaçado por seus olhos. Bem abertos, tornando a área branca bem maior do que normalmente seria, fazia com que a íris acinzentada típica da ilha de onde vinha se perdesse, evidenciando ainda as pequenas pupilas que pareciam capazes de fuzilar um homem. Tirou a pistola do coldre, sob o olhar atento do capitão a seus pés. Apontou-a para a cabeça. Os olhos miravam, o dedo tremia no gatilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então jogou-a no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não - disse Beckings - Vou te matar com as próprias mãos, safado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wülff sabia muito bem que Beckings era mesmo capaz de fazer isso. Não era só sua força, era seu vasto conhecimento sobre o assunto. O capitão já tinha visto seu tenente matar com os punhos antes. Várias vezes, todas sob seu comando, todas a serviço da sua nave, a Oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oportunidade. Era exatamente disso que o capitão precisava naquela hora. Contra todas as probabilidades, contra um inimigo mais forte e mais motivado. Um momento, uma oportunidade. Um toque no comunicador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tenente Beckings! CCS chamando Tenente Charles Beckings, da nave Oportunidade, câmbio!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por uma fração de segundo, os olhos de Beckings saíram de sobre Wülff e se voltaram para o comunicador em sua cintura. Tempo suficiente para Wülff mostrar porque ele era o capitão, e Beckings o subalterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um giro veloz no chão duro, Wülff pegou a pistola jogada no chão por seu pretenso executor, e antes que o adversário pudesse pensar em reagir, levou um tiro no joelho esquerdo, caindo no chão. Enquanto Wülff se levantava lentamente, sentindo dores por todo o corpo e mantendo a arma apontando para Beckings, este jazia agachado no solo rochoso. Seus olhos ainda mais raivosos derramavam lágrimas ácidas de ira e frustração, seus dentes cerrados não continham uma espumosa saliva de cão raivoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Atenção, Tenente Charles Beckings, o Comando Colonial de Sírio requer resposta imediata! Responda, Tenente Beckings, câmbio!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Três meses, Charles. A próxima Onda vem em fevereiro, e você a perdeu por três meses. Era tudo verdade. A experiência da sua vida. A oportunidade que você perdeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que pudesse se arrepender, Beckings estava morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tenente Charles Beckings, este á seu último aviso, retorne a chamada ao CCS imediatamente, câmbio!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui é o Capitão Gael Wülff da nave Oportunidade, falando de Sírio 1. Infelizmente, o Tenente Beckings pereceu em combate com um grupo de piratas, o qual destruiu também nosso veículo. Enviando sinal de coordenadas para resgate. Câmbio final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naves. Muitas naves. Insígnias (e intenções) desconhecidas. Enquanto observava pelo visor da sala de planejamento da Oportunidade as naves alienígenas que se aproximavam do cinturão de asteróides da alfa do Centauro, o Capitão Wülff pensava em datas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana atrás, conduzira um diplomata à uma negociação em Aduuhr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali a alguns dias, virá uma nova Onda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E três meses atrás, matara o Tenente Charles Beckings, o qual queria matá-lo com as próprias mãos. Mas o capitão usou a pistola mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-116292830896587506?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/116292830896587506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=116292830896587506&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116292830896587506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116292830896587506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2006/11/onda.html' title='A Onda'/><author><name>Fabio Ciccone</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07394266206987306035</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uCy9R_TiOXk/TFvnBb0mBfI/AAAAAAAACBA/2F-_2DmI2-I/S220/fam3.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-116344323323188762</id><published>2006-11-13T16:39:00.000-02:00</published><updated>2006-11-30T14:55:44.976-02:00</updated><title type='text'>Tecnorgânica I</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Teknorganika I&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma verdadeira maravilha da natureza! Adoraria conhecer o planeta de origem dessa forma de vida. Apaixonante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dr. Gustavo Silveira parecia hipnotizado pela beleza da criatura em sua mesa de dessecação. Passava os dedos trêmulos entre seus ralos cabelos brancos, afagava a barba volumosa, andava de um lado para o outro, mal contendo a excitação dessa nova descoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dr. Silveira, o senhor realmente acredita que essa criatura é natural? Fruto da evolução?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, mas é claro! – respondeu em tom efusivo – Veja como as partes mecânica e orgânica se unem de forma "natural", crescem em conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento o intercomunicador tocou. Era o general Berguer, responsável pelas forças-tarefa de defesa interplanetária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gustavo, tenho noticias que devem agradá-lo bastante. Venha ao meu gabinete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gabinete do general Alfonce Berguer era como Gustavo esperava que fosse: espartano. O globo de iluminação pairava sobre a mesa simples de metal, iluminado os holomapas deste quadrante do universo. Alfonce observava os mapas em calma reflexão, anotando coordenadas em seu computador de mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sente-se Silveira – disse sem olhar para Gustavo – falo com você em um minuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gustavo observou Alfonce em suas analises e ficou satisfeito com o próprio trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu lhe dei um grande cérebro Alfonce. Você continua sendo minha obra-prima".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gustavo, tenho que falar com você sobre a criatura que está pesquisando no momento. Gostaria de um relatório completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, general Berguer. É um prazer falar sobre aquela maravilha. Infelizmente não temos muitos dados concretos. A criatura – chamamos de espécie tecnogânica I – é um misto de máquina e organismo vivo. Seu cérebro é formado por chips e neurônios semelhantes aos de outras espécies humanóides. Embora 50% do espécime seja mecânica, sua formação é orgânica. Cabos, chips, placas, tubulação... Tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguma idéia de como a criatura se reproduz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda não. Eu acredito que seja através de reprodução sexual. Meus colegas acreditam que seja de forma assexuada, que eles são construídos por uma inteligência central, com matéria orgânica recolhida do ambiente. Ainda estou procurando o órgão sexual da criatura que encontramos. Espero uma resposta positiva em alguns dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espero que você esteja certo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Berguer tocou a tela do intercom. Brenda, sua secretária, apareceu na tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entrarei em uma reunião classificação Alpha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim senhor. – respondeu desligando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gustavo, nada do que for dito nessa sala deve sair daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro general.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma frota alienígena aproxima-se do cinturão de Alfa Centauro. Quero que você analise as imagens que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gustavo saiu do gabinete de Berguer com o medo estampado em sua face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha apenas alguns dias para descobrir tudo o que pudesse sobre a criatura em seu laboratório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se sua teoria estivesse certa, nada impediria um primeiro contato pacifico. As possibilidades no encontro com um organismo biomecanoide traria centenas de anos em evolução para ciência humana, principalmente em sua área, biocibernética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e se estivesse errado? E se a tecnorgânica I for uma espécie viral, consumindo planetas em uma linha de montagem reprodutiva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gustavo ligou para sua esposa tentando esconder a preocupação em sua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lesly, meu amor, prepare minhas malas para uma viagem longa. Devo acompanhar o Sr. Miguel Cassini em uma visita diplomática.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-116344323323188762?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/116344323323188762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=116344323323188762&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116344323323188762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116344323323188762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2006/11/tecnorgnica-i.html' title='Tecnorgânica I'/><author><name>Jab Vortex</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.rnufs.ufs.br/rede/radio/img/news/0052/moore.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-116311791433669014</id><published>2006-11-10T00:10:00.000-02:00</published><updated>2006-11-30T14:54:30.570-02:00</updated><title type='text'>Desabafo de Uhrdjago</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Uhrdjago Konfeso&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os desertos do Universo. Eu mataria para não morar num planeta-deserto. Não pense que o "deserto" aqui é de vazio. Pelo contrário. É cheio de areia. E insetos. E alienígenas que devoram insetos. E eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aqui há mais tempo do que mereceria. Abandono. Fui enviado numa missão de paz em Saharaderum, numa pequena tropa. Guerra civil. Sinthadernuuns contra Saharadernuuns. O bem e o mal. Do ponto de vista deles, é claro. Todos são maus, aqui. Isto me lembra a velha história da Terra, uma tal de Revogação Francesca, Revotação Francesa, Revolução Fruteza, enfim, uma merda. Uns cortando as cabeças dos outros, quando atingiam o poder. Missão de paz pra quê? Deixem que se matem! O que importa ser o maior exportador de escaravelhos bipaquidermes, se a única função deles em todos os outros planetas é uma alternativa ao bom e velho estrume orgânico? Estrume tem em todo o Universo! Não precisamos mais importar insetos cagões há décadas. Temos clones de pré-históricos brachiosauros para tal. Que se matem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, eu mataria por comida da Terra! E já matei, aliás. Meu comandante. Estava à beira da morte, mesmo. Perdera uma perna na última investida do inimigo. Não me lembro qual dos dois inimigos. Mas era um deles, com certeza. Insetos não usam cimitarras de elemento 2387. Cortei sua garganta para preservar a carne quente e macia por mais uma hora. Mas esta comida não é tão boa. Preferia os bovinos, ou suínos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo correu bem até os malditos Saharadernuuns comerem todas as baterias que restavam de nosso comunicador extra-universal. Malditos. Era a única coisa que restava para eu me sentir realmente abandonado neste planetinha. E nada de reforços. E nada de resgate. Fomos esquecidos, aqui. Como iríamos imaginar que hiperníquel-&lt;br /&gt;pentacádmio era uma exótica iguaria nesta bola de areia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulheres terrestres. Eu mataria por uma mulher terrestre. Dezessete anos, três meses, cinco dias e vinte e duas horas sem sentir o acolhedor calor das coxas femininas. As mulheres, isto é, as fêmeas daqui são péssimas amantes. Talvez para um Sinthadernuum aquela coisa seja excitante. Mas para mim, é como praticar zoofilia com uma iguana de três metros. É, é com o que elas se parecem. Iguanas. Coloridas, frias e escamosas iguanas. Me senti um necrófilo, na primeira vez. E na segunda. E em todas as centenas de outras vezes. Até que resolvi aceitar a minha condição de celibatário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sei se existe ainda a União Humana. Aliás, nem sei se a Euroáfrica ainda está no poder. Não sei nada, mais. É por isso que desisto. É por isso que desabafo. Cansei de ser o único humano neste lugar horrível. Cansei de comer insetos. Cansei de contar quantas placas de titânio enriquecido que compõem esta lata-velha que eu chamo de nave. Cansei deste povinho gelado com cara de lagartixa. Cansei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a minha última gravação, AIBT-9000. Vou encerrar as transmissões, e todos os sinais de socorro para o espaço. Lançarei você para a posteridade. Você flutuará pelo espaço sideral até que algum idiota que fale nossa língua o encontre. Daí ele saberá a verdade. Daí, ele descobrirá o abandono do onipresidente da Euroáfrica para com nosso pequeno grupo de paz. Vá! Vá para o espaço, criança! Vá! Contarei até mil, e direi adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor! Senhor! Percebi algo estranho no quadrante extremo-nornoroeste da galáxia conhecida. É um sinal fraco, mas parece para mim uma grande explosão atômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem razão, Fhuster. Aproxime o neoradar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja, senhor! Ali, se não me engano, era um planeta-deserto, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saharaderum. Havia uma guerra civil, lá, há uns bons anos. Foi antes do onipresidente americano assumir o poder. Todos os arquivos do governo anterior foram destruídos, e perdemos o sinal de diversas missões de paz espalhadas pelo Universo. Não me lembro se houve alguma missão para conter estes povos em Saharaderum. Bom, mas se houve, agora tenho a impressão de que eles não lutarão mais, nem pedirão socorro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Notificamos a perda, senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, Fhuster. Mas coloque abaixo da pilha de prioridades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-116311791433669014?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/116311791433669014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=116311791433669014&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116311791433669014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116311791433669014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2006/11/desabafo-de-uhrdjago.html' title='Desabafo de Uhrdjago'/><author><name>André Lasak</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14069281432762258095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img426.imageshack.us/img426/4308/fotoparaorkut8nk.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-116294990756980601</id><published>2006-11-07T23:36:00.000-02:00</published><updated>2006-11-30T14:51:48.553-02:00</updated><title type='text'>Confusões</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span&gt;Konfuzoj&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu estava escuro e frio, a chuva começava a cair no cemitério de São Zozimus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, você não devia ter feito aquilo com o Günna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foram apenas negócios, Anja. Para negociar, a gente precisa de respeito, confiabilidade... O Günna estava passando a perna em meio mundo. Isso não era bom para mim e nem para os meus clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você trabalha para a União, não? Você devia ter pedido a abertura de uma auditoria na instância de relações extra-exteriores e aguardado a posi..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se eu tivesse feito isso, nós estaríamos no meu velório, e não no dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós? Ou só eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você me entendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até chegarmos em casa, Anja não falou mais nenhuma palavra. Ela sempre me dava um gelo quando eu precisava “resolver” alguns negócios à moda antiga. Era uma idealista, como nossos amigos a classificavam, não suportava injustiças, guerras, corrupção ou violência, mas no final ela sempre fazia as pazes comigo. Como resistir à paixão que existia entre nós? Se bem que algo me dizia que dessa vez seria diferente. Afinal, matar o marido de alguém não é fácil de se perdoar, ou é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês ainda se lembram da pulga que eu comentei antes? Pois é, uma hora ela aparece. Infelizmente ela era do tamanho de um caranguejo tarmukiano. Pelo menos foi o que começou a parecer quando ouvi os “campos” das janelas serem desligados. Ótimo, pensei, estou pelado, tomando banho e desarmado, não existe maneira melhor de ser emboscado (para os emboscadores, pelo menos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cassini? Miguel Cassini? – Ecoou uma voz grossa pelo banheiro, seguida por dois típicos agentes, com seus óculos escuros, sobretudos e pontos na orelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, eu apertaria a mão de vocês, mas no momento estou ocupado escondendo as minhas “partes”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Onipresidente precisa falar com você, senhor, imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, deixe apenas eu me vestir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele disse IMEDIATAMENTE!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu ainda estou nu! Você não espera que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crás! Uma bela porrada na minha nuca, depois a escuridão. Malditos andróides e suas ordens literais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, Cassini, como foi de viagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agh! Luz, luz forte! O cheiro de ar ionizado... Droga, estou em uma nave! Droga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onipresidente Ramirez? Vim assim que me informaram que queria falar comigo, literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, fiquei sabendo... Desculpe pelos andróides, última novidade em cérebros positrônicos cognitivos. Muito bom, mas cheio de falhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Algumas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, vamos acabar com as formalidades, ok? – A pulga! A pulga surgindo! – Pois bem, o setor do anel externo acaba de informar que uma frota desconhecida de espaçonaves de tamanho abissal está a caminho do sistema de Alfa do Centauro, e adivinha qual o suposto destino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ahn... Não tenho idéia, senhor – Por favor, não o cinturão de asteróides, não o cinturão de asteróides, não o cinturão de asteróides, não o cinturão de asteróides...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O cinturão de asteróides – Droga! -  Muito interessante, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguma ligação com Aduuhr, senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda não sabemos, oficialmente Aduuhr se mostra tão surpreso como nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imagino que a União não me trouxe aqui só para me informar da situação, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que não! Você é o nosso melhor negociador, um diplomata, por assim dizer. Quero que você bata na porta desses desconhecidos e descubra o que eles querem aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu, senhor? Uma operação dessas não devia ser comandada por militares?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você quiser, posso te colocar na lista de convocados para a força da União.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-116294990756980601?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/116294990756980601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=116294990756980601&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116294990756980601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116294990756980601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2006/11/confuses.html' title='Confusões'/><author><name>Takren</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03694815656640534829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_T5p-SKzANg8/SsZOIfEHylI/AAAAAAAAAA0/Z2fkKaViYWQ/s1600-R/avatar.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36906316.post-116232727259403906</id><published>2006-10-31T15:38:00.000-03:00</published><updated>2006-11-30T14:50:01.963-02:00</updated><title type='text'>Negociação em Aduuhr</title><content type='html'>&lt;b style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Intertraktado en Aduuhr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;A enorme esfera branca amarelada ocupando grande parte do horizonte, acompanhada de uma menor, acinzentada, no vasto fundo negro, indicavam que aquela doca era sem dúvida uma das melhores da base. A esfera maior era Aduuhr; a menor, uma de suas duas luas, que eu não consegui até agora lembrar o nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, Aduuhr, em aduuhrano, significa “areia”. Isso porque, a maior parte da superfície seca do planeta é desértica. Desta forma, quase tudo o que a gente vê quando olha para ele é um branco amarelado, tão claro que, quando saímos da Oportunidade (esse é o nome da nossa nave), ofuscou os meus olhos e os do oficial que tinha ficado encarregado da minha segurança. O planeta reflete tanta luz que na doca onde a gente tinha estacionado não tinha nem luz artificial. Dá para imaginar que, do mesmo jeito que Yuri Gagarin disse “a Terra é azul”, seu correspondente aduuhrano disse “Aduuhr é branca amarelada”, isso, claro, se ele não tiver dito algo como “caramba, como meus olhos dóem!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, Aduuhr tem areia a dar com pau. Claro, como todo planeta, tem gelo nos pólos, florestinhas e tal, mas tem muita, muita areia. Nem oceanos o planeta tem direito, um ali, outro aqui, já que é tão perto do sol deles que a água vira vapor fácil, fácil, o que me deixou bastante grato por eles terem optado por realizar o encontro numa das luas. Enfim, com isso, é muito justo os nativos chamarem seu mundo de “Areia”, o que me fez pensar se a Terra, com seus dois terços de água na superfície, não devia se chamar “Água” ao invés de Terra. Claro, só pensei nisso porque esse era o motivo pelo qual eu estava lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na aula de xenologia, na pós-graduação, a gente aprendeu que há três coisas importantes a se saber sobre os aduuhranos: um, eles fedem; dois, eles são a raça extraterrestre inteligente mais resistente que a gente conhece (era de se esperar isso de camelos bípedes); e três, e, neste caso, mais importante, eles são excelentes negociadores, daqueles que sempre te deixam com a pulga atrás da orelha ou com a impressão de que saiu perdendo. Freqüentemente, com as duas. E foi por isso que eu fui escolhido pessoalmente pelo onipresidente para este trabalho. Afinal, eu sou Miguel Cassini, o melhor negociador do sistema solar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o comitê de recepção aduuhrano escoltava a mim e ao oficial até nossos alojamentos, e depois, durante toda noite (figurativamente falando, claro... nem vou me alongar falando que “dia” e “noite” são conceitos totalmente relativos quando se está fora de casa), só conseguia pensar uma coisa: “não o Caahriin, por favor, não o Caahriin”. Dia seguinte, na sala de conferência, é lógico, Caahriin estava sentado à minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abuuhud Caahriin é o melhor negociador aduuhrano; os aduuhranos são os melhores negociadores deste setor da galáxia. Logo... bom, basta dizer que uma vez ele fez um sshzaasita sair chorando da sala de negociações após fazê-lo trocar um comboio inteiro de espaçonaves por um ovo perdido. Você acha pouco? Você já viu um sshzaasita chorar? Sabe por quê? Porque o organismo deles não produz lágrimas. Eu estava lá, e vi tudinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, então estava eu lá, sentadinho, encarando os negros olhos de Caahriin, ele encarando os meus. Sua pelagem estava já curta e acinzentada, sua pele já enrugada, mas o aduuhrano continuava parecendo uma rocha impenetrável. Ah, e ele fedia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Água suficiente para dez anos, em troca de carbo-hássio para cinco anos. É um acordo excelente, não há como negar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seria, se dez anos em Aduuhr não equivalessem a quatro anos terrestres. - (ele entendeu a minha pegadinha) - Por favor, Cassini, não sou idiota. E antes de você me falar sobre relatividade e mais um monte de besteira para tentar me enrolar, deixa só eu te esclarecer dois pontos: o primeiro é que nós somos a única fonte de carbo-hássio em abundância no universo – (olha o exagero... ele devia ter dito “dentre as raças com as quais vocês têm contato amistoso”) - e o segundo é que vocês não são a única fonte de água. Nada impede que a gente comece a comprar água dos bloughs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A não ser o fato de eles serem xenófobos belicosos em guerra com metade da galáxia – (e eu descobri a pegadinha dele) – O que você sugere?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está com sorte hoje, Cassini, temos uma proposta que você vai descobrir ser irrecusável. Cinco anos terrestres de combustível em troca de apenas dois anos terrestres de água... e vocês nos concedem a exploração de metade do cinturão de asteróides entre o terceiro e o quarto planeta de Alfa do Centauro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É isso mesmo. Te dou até amanhã para pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia, realmente, tentador, como trocar ouro por palha. Por via das dúvidas, falei com o planetólogo da tripulação, que confirmou minha suspeita de que os asteróides não passavam de “uma porção de rocha fria e sem graça”. Por via das dúvidas, procurei mais quatro planetólogos de outras naves próximas, e todos eles disseram o mesmo. Era uma pechincha. No dia seguinte, então, fechei o acordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo lindo, tudo mais que lindo. Conseguimos o combustível, gastamos pouco da nossa reserva de água, e ainda podíamos jantar ouvindo a linda (ainda que estranha) música aduuhrana. Caahriin, de bom humor como nunca havia visto antes, ainda me deu de presente uns dez quilos de uma iguaria típica muito apreciada por eles (fiquei sem graça de falar que odiava aquilo. Afinal, um presente desses é que nem um cubano: ainda que você não fume, você não recusa). Mas lembram do que eu tinha falado que aprendi sobre os aduuhranos na aula de xenologia? A resistência física, o fedor e a pulga atrás da orelha? Bom, a primeira eu não ia ter como comprovar naquela viagem, mas a segunda era evidente. Bem como a terceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos de lá com um acordo fechado, um monte de combustível a preço de banana e uma baita pulga do tamanho de um elefante na parte de trás da orelha. Trocamos um monte do precioso carbo-hássio pela metade de um monte de pedras flutuando num sistema planetário vizinho. Bastou uma ligação para o onipresidente. Ele não entendeu nada, mas por via das dúvidas aumentou em duzentos por cento a verba destinada à exploração da outra metade do monte de pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Günna, de boca cheia, ria com gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito boa, Miguel! E ainda nos conseguiu um belo churrasco de... como é mesmo o nome desse troço aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei... não sei nem como vocês conseguem comer isso, é nojento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não sabe o que diz, meu caro! Sabe, nós jamais deveríamos ter feito aquilo com vocês lá em Sírio. Fico feliz que tenha nos procurado e oferecido este jantar de reconciliação. Fomos tão estúpidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem problema, meu velho, isso foi há muito tempo. Águas passadas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fazem verão, é isso aí! Mas olha, voltando ao assunto da comida... você tem certeza de que não quer, está muito boa mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já disse, Günna, não como esse troço aí. É nojento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nojento? Você já experimentou para saber?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que não. Isso aí é ótimo para os aduuhranos, mas é tóxico para nós, humanos. Adeus, Günna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36906316-116232727259403906?l=uniaohumana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://uniaohumana.blogspot.com/feeds/116232727259403906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36906316&amp;postID=116232727259403906&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116232727259403906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36906316/posts/default/116232727259403906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://uniaohumana.blogspot.com/2006/10/negociao-em-aduuhr.html' title='Negociação em Aduuhr'/><author><name>Fabio Ciccone</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07394266206987306035</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uCy9R_TiOXk/TFvnBb0mBfI/AAAAAAAACBA/2F-_2DmI2-I/S220/fam3.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
