15.11.06

O Vácuo

La Vakuo

O vácuo...

Uma imensidão negra e sem horizontes, estrelas silenciosas passando no vazio, apenas o som da minha respiração e um “bip” periódico avisando que o traje está funcionando perfeitamente. É disso que eu preciso, sair andando pelo lado de fora da plataforma no espaço aberto. É como meditação zen para mim, adeus preocupações. Apenas eu e meus pensamentos batendo um papinho e pondo a sanidade em dia.

Bip

Zarom parece tão pequena daqui, uma pequena bola branco-azulada. Tão calma e tão serena... Nem parece aquele inferno de vulcões de hidrogênio líquido. Não é um lugar que alguém em sã consciência gostaria de visitar, mas a União precisa de combustível. Pelo menos foi o que disseram para nós, quando nos enfiaram nessa plataforma de extração. O trabalho é duro, sem diversão nenhuma e extremamente perigoso mas o soldo é muito bom além abater uns bons quatro anos de serviço militar pela insalubridade. Arriscado? Sem dúvida, mas um bom negócio.

Bip

Dou graças à tripulação que peguei todos honestos e amigos. Formamos uma família aqui nesses últimos trinta meses, o que é muita sorte levando em consideração que a última missão que veio aqui acabou em revolta, motim, loucura e uma queda até Zarom. Ainda pode-se ver a cratera negra, maculando a alvura da superfície do planetóide. Mas não é para baixo que eu gosto de olhar e sim para cima, para as estrelas além. Nada como sentar na fuselagem externa da plataforma e ver o universo passar.

Bip

Mas ei! O que é aquilo?

- Lester? Lester?

- Na escuta, qual o galho Eric?

- Tem alguma coisa vindo pra cá!

- Hum... Não consta nada nos radares... O que você está vendo?

- Sei lá! É grande e tá vindo muito rápido.

- É um asteróide? Algum cometa não catalogado?

- N-não, parece ser um tipo de nave. Nossa é muito grande e eu acho que eles não tão vendo a gente...

- Nave? Impossível, essa rota é restrita e nenh...

- É mais de um! É mais de um! Não consigo contar quantos, é muito confuso!

- Mas o radar...

- Foda-se o radar! Olha pela escotilha idota! Como você não consegue ver essa merda? Tá aí pra quem quiser ver!

- Meu Deus! Eu tou vendo!

- Então? Tira a gente daqui.

- Não dá, os motores estão frios, vou precisar de no mínimo umas 3 horas. Fora que a ativação de emerg...SHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

- O quê? Lester? Lester?

Droga, era o que faltava. Uma falha elétrica justo agora, estamos mortos! Mas que diabo de nave é aquela? A velocidade dela é impossível. Vamos bater.

Perto,

Perto,

Perto,

Mais perto.

O casco da plataforma está tremendo. Agh! O calor dos propulsores. Uma luz branca invade meus olhos, impossível de não ver, mesmo de olhos fechados. Está tudo chacoalhando, assoviando, pedaços de coisas se chocando com a minha roupa espacial

Então o silêncio novamente, quando finalmente volto a enxergar tento me localizar... Lá está Zarom, perto demais, mau sinal. E onde está a nossa plataforma? Tento contato. Nada, tudo se foi. Parece que realmente estou sozinho aqui, flutuando a esmo no meio do vácuo espacial, eu deveria estar com medo agora mas não estou. Tudo está tão calmo, silencioso e bonito...

Sabe de uma coisa? Faz uns quarenta minutos que não ouço um “bip”.

4 comentários:

Fabio Ciccone disse...

Sabe, acho que não deve haver coisa mais desesperadora no universo do que ficar à deriva no espaço...

Tahkren disse...

é. é punk mesmo, uma vez eu fui pra um acampamento espacial e então um robô maluco fez o ônibus espacial que estávamos treinado decolar de verdae e...
não! isso foi um filme, esquece... hehe

Bia Ferreira disse...

kkkkkkkkk... a história é boa.. prendeu mesmo, não sou muito viajante de ficção científica, mas até que tu viaja legal...
Deve ser desesperador ficar a deriva em qualquer lugar desconhecido, seja no espaço ou dentro de si mesmo..

André Lasak disse...

Tou gostando muito de tudo isso!

Abraçãos!